Quando Deus criou o Homem, o fez desprovido de qualquer emoção intensa. A criação era para ser pacífica consigo mesmo. Porém quando o Homem saiu do paraíso, Ele adquiriu a capacidade de viver as coisas intensamente, pois para sobreviver no mundo hostil fora do Paraíso era preciso sentir o medo, a raiva, a felicidade….
Deus, com pena de sua criação, deu ao homem o poder de controlar estes sentimentos, de usá-los apenas quando necessário. Para aprender a dominar os sentimentos extremos, através do homem Deus criou o teatro. O homem deu às mascaras, aos atores e expectadores uma forma de expurgar tudo aquilo que era excessivo em seu corpo. Viver o momento fictício fez com que o Homem sentisse aquilo que foi adquirido de uma forma que não afetasse sua vida.
Sem saber, as máscaras da tragédia e da comédia adquiriram toda as emoções acumuladas durante os vários séculos de vida do teatro, e se tornaram poderosas. Tão poderosas que acabaram incitando a cobiça nos homens. Cobiça de fazer com que os sentimentos se tornassem extremamente poderosos e pudessem fortalecer o Homem em sua ambição de igualar-se à Deus.
Num ato egoísta, um pequeno homem, querendo dominar seu reino, vestiu as máscaras da tragédia e da comédia juntas. Todo o poder que estas carregavam foi transferido ao homem, porém também foi transferida uma maldição. Por vestir as máscaras juntas, durante o ano,o mês, os dias, as horas, os minutos e os segundos, a qualquer momento; estas máscaras mostrarão a este homem e seus herdeiros o que a ganância exagerada faz. Este terá momentos de extrema tristeza e de extrema alegria, momentos em que as máscaras aparecerão na alma do homem e este vai sentir todo o poder que elas possuem porém de uma forma altamente destrutiva.